quarta-feira, 21 de abril de 2010

2º FESTIVAL NACIONAL DE TEATRO DE GOIÂNIA

O MANIFESTO DO TEATRO QUE É!

Apesar das dificuldades (ainda não recebeu a captação da Lei Goyazes), a Cia. Teatral Oops!.. manteve o calendário do 2º Festival Nacional de Teatro de Goiânia. A abertura no domingo, no Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro, coincidiu com a temporada do espetáculo Comunicação a Uma Academia, do grupo Club Noir, de São Paulo, o que foi ótimo para o festival tê-lo como convidado. A magnífica atuação da atriz Juliana Galdino levou centenas espectadores ao teatro, e deu respaldo ao evento coordenado pelo diretor João Bosco Amaral, Sol Silveira e Olliver Mariano.

Atriz consagrada nos palcos do teatro, discípula do diretor Antunes Filho, Juliana interpreta o texto de Franz Kafka, que aborda a transformação de um macaco em homem com muita competência. Pela performance, ela foi indicada ao Prêmio Shell 2009 de melhor atriz, e Roberto Alvim ao de melhor diretor. Cenário, figurino, maquiagem e iluminação colaboram para o êxito da montagem que estreou na sede do Club Noir, em São Paulo.

O festival prossegue até domingo, quando serão anunciados os vencedores nas categorias espetáculo, ator, atriz, direção, iluminação, cenário, júri popular e outras. Na comissão julgadora atuam Guido Campos Correa, Ivan Lima, Jefferson Angellis, Delgado Filho e Gilson P. Borges. Até estarão em cartaz espetáculos de Goiânia, São Paulo, Brasília, Bahia e Ceará.

BODAS E CRU

Produção reservada para a inauguração do Teatro Liberdade, do diretor Divanir Pimenta, Bodas foi apresentado ao ar livre e arrebatou o público. Há mais de um ano em cartaz, a produção do grupo Cabessa de Vaca, da diretora Valéria Braga, integra a Mostra Competitiva. Livre adaptação de Bodas de Sangue, de Federico Garcia Lorca, a produção amadureceu e os atores estão bem adaptados aos seus papéis.

Assisti apenas dois espetáculos do festival até agora: Comunicação a uma Academia (convidado), que gostei muito e Cru - Vida e Morte nos Confins do Brasil, do grupo Plágio, de Brasília (concorrente), que não me empolgou.
Eescrito por Alexandre Ribondi, que divide a direção com o ator Sérgio Sartori, Cru segue o estilo mundo cão tão bem explorado por Plínio Marcos em peças consagradas em décadas passadas. Um dos problemas do texto é não deixar claro o gênero a que se propõe se comédia, drama ou tragédia.

Os atores Alexandre Ribondi, Sérgio Sartori e André Reis desempenham bem os seus papéis na história de um matador de aluguel, que teve sua infância marcada pela tragédia. Um dia, um homem estranho aparece no açougue de Frutinha, seu irmão adotivo, e recebe uma encomenda inesperada: matar seu próprio pai. A partir das descobertas, a peça descamba para os clichês do pecador arrependido que se torna evangélico para expiar os pecados e o travesti valentão, cúmplice do irmão. Tragédia pouca é bobagem.

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