sexta-feira, 8 de junho de 2018


                            CONCESSA COMEMORA 20 ANOS DE RISO E PROSA


Cida Mendes: 20 anos de muito sucesso como Concessa


Há duas décadas, estreava em Goiânia a comédia Concessa Tecendo Prosa, com a atriz mineira Cida Mendes no palco do Teatro Zabriskie, no Setor Marista. Cida estava disposta a fazer uma temporada de meses da peça que ela mesma escrevera inspirada numa vizinha que criava galinha no quintal.  Convidara a amiga Iolene de Stéfano para dirigi-la e Consuelo Ulhoa para fazer a produção. Ambas toparam.  Diretora do Zabriskie, Ana Cristina Evangelista abriu as portas para Concessa passar, e consequentemente fazer sucesso. Após conquistar o público da cidade, Cida e Consuelo pegaram a estrada. Deram-se muito bem. Cida Mendes desempenha tão bem o seu papel, que passados 20 anos, sua personagem Concessa se confunde com a atriz, e vice versa. 

Quase nada mudou no espetáculo que estreou em abril de 1998. Apenas o fogão, onde a personagem coa um cafezinho e assa um bolo enquanto conversa com as comadres da plateia, diminuiu de tamanho para facilitar o transporte nas incontáveis viagens de Concessa.  O humor da personagem, que já passou dos 50 anos, é avó, e padece com os incômodos da menopausa, continua o mesmo. Milhares de pessoas já se divertiram com a simpática caipira que não se acanha de comentar os assuntos mais diversos do cotidiano de sua família. Contestadora, irreverente, bem humorada, para ela não há assunto proibido. Concessa circulou pelo País com e sem patrocínio das Leis de Incentivo à Cultura. A divertida personagem firmou-se como comunicadora através do seu humor e da sua prosa.

Cida Mendes e Consuelo Ulhoa têm seu porto seguro em Paracatu (MG), onde comandam juntas a Casa de Concessa, misto de restaurante, às margens da rodovia Minas-Brasília,e espaço cultural. No cardápio servido na casa, a típica comida mineira mistura-se às gargalhadas certas com a irreverente Concessa, seu marido Vicente e os filhos Anderson Clayton, Marcilene, Marluce e Robert Carlos . “E aí coisinha, tudo bem?”  

 Atriz e produtora viajam de carro. No porta malas, carregam o cenário, figurino e objetos cênicos. “Fazemos uma média de 40 mil quilômetros por ano”, conta a atriz, que já viajou de Minas ao interior de Rondônia. Elas calculam terem rodado cerca de 800 mil de quilômetros nas estradas do País. Foram para Frankfurt, na Alemanha, em 2016, a convite de brasileiros.“O Brasil é o País dos sotaques. O mineirês de Concessa é um dialeto apreciado no Brasil inteiro. O mineiro recebe bem. Por onde passa é bem recebido”, garante Cida. 

Personagem




Desde os tempos de Pará de Minas (PA), terra natal de Cida Mendes, a atriz lapidava o jeito de ser da personagem Concessa, inspirada na vizinha de Paracatu e nas caipiras simplórias do interior, cheias de sabedoria. Hábitos, costumes, o palavrório típico, o sotaque (seria mineirês ou goianês?) foram traçando o perfil da personagem. Nas suas andanças, não falta que diga a Cida que conhece alguém parecida com Concessa. 

Cida Mendes deixou Pará de Minas rumo a Belo Horizonte aos 12 anos. Cursou Educação Física e o Conservatório de Música, mas abandonou tudo pelo teatro. Em 1993, de volta à cidade natal fundou junto com Consuelo Ulhoa a Cantina Real, espaço cultural que abrigava o Grupo de Teatro Maracutaia. “Na própria Cantina Real foi acontecendo um movimento teatral com esquetes, experimentos, estudos trazidos pela diretora Iolene de Stéfano que foi dando um suporte de repertório e técnica de teatro. Ali nasceu Concessa. Como uma brincadeira no meio das pessoas, como gosto de fazer até hoje na Casa de Concessa em Paracatu”, conta a artista.
Cida Mendes e Consuelo Ulhoa vieram para Goiânia em 1995. No Zabriskie, Cida estrelou as peças Rainha Megera e Luas e Luas, sob a direção de Ana Cristina Evangelista. Integrou também o elenco de Banheiro Feminino, dirigida por Júlio Vilela, e O Pétala e seus Contos de Escárnio, de Hilda Hilst, com Duda Paiva. O diretor Marcos Fayad a convidou para viver no palco a Nhá Teórfa, no musical Na Carrera do Divino, Carlos Alberto Sofredini. A personagem sertaneja foi, segundo a atriz, a semente da sua Concessa. 
Concessa Tecendo Prosa foi também um marco na carreira de Iolene de Stéfano na direção.  Atualmente, ela atua com as irmãs atrizes Débora e Cinthia Falabella. Quando Iolene retornou para Belo Horizonte, os ensaios de Concessa foram acompanhados pela bailarina, professora e diretora Luciana Caetano. Fernando Cândido pintou à mão os tecidos do cenário (que ainda são os mesmos) no quintal da casa de Cida. Consuelo Ulhoa cuidou da produção. Tudo continua igual. A peça consagrou a atriz, que tem uma agenda concorrida de apresentações.      
Prêmio Multishow de Humor (1997), com um monólogo da personagem Concessa, Cida Mendes teve participações no Programa do Didi, na  TV Globo,  Escolinha do Barulho, Boa Noite Brasil e Programa do Gugu, na TV Record.  Cida Mendes os espetáculos Adelaide Pinta e Borda, Concessa em Pendura e Cai e Defeito Estufa.  Em tudo está sempre tecendo prosa.”Concessa não para de tecer porque a linha nunca acaba. É a vida dizendo: Vai, Concessa. E ela continua a tecer”, sublinha a atriz.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017




  ANZÓIS NO AQUÁRIO
                     
                      
                                INTRIGA NOS BASTIDORES DO TEATRO

Alex Amaral e Jonatas Tavares


Dramaturgo com diversas peças encenadas e publicadas, Hugo Zorzetti é um dos nomes mais importantes da dramaturgia em Goiás e um dos melhores comediógrafos do País. Desde os anos 1960, atua como autor e diretor de suas peças, a maioria encenada pelo seu  Grupo de Teatro Exercício, fundado por ele em 1972.   Zorzetti comanda um coletivo veterano de atores,  que mantém acesa a chama do grupo. Quando não atuam, os artistas dirigem as peças do mestre, trabalham na técnica, confeccionam cenários.  Diretor da peça Anzóis no Aquário,  peça que encerra a trilogia iniciada com A Barricada,  escrita por Zorzetti, em 1980, Nilton Rodrigues é um dos fieis escudeiros do autor.

Anzóis no Aquário, que estreou  em outubro no Teatro Goiânia, foi escrita para ser encenada pelo próprio Zorzetti. Devido a problemas de saúde, o projeto do autor teve de ser modificado. Trata-se do embate de um crítico teatral em fim de carreira, prepotente e arrogante, vivido por Jonatas Tavares e um ator medíocre que só faz espetáculo infantil, papel entregue a Alex Amaral. Conflitos humanos e bastidores do teatro que Zorzetti tão bem conhece são expostos sem meias palavras. 

O ator sonha interpretar um personagem de Shakespeare e, dessa forma comprovar seu talento. O crítico, por sua vez, não poupa farpas às pretensões do artista, ressaltando as suas limitações.  O confronto entre os dois é duro. Enquanto o crítico tenta impor seu ponto de vista, o ator fica na defensiva o tempo todo, expondo suas fraquezas. A discussão entre os dois  deveria render grandes momentos. Infelizmente não é o que acontece. Alex Amaral não consegue acompanhar o alucinado crítico de Jonatas Tavares. Durante toda a encenação,   Jonatas domina a cena com sua forte presença cênica, ofuscando completamente o pretenso grande ator de Alex Amaral.  A direção de Nilton Rodrigues não consegue conter o  desequilíbrio entre os dois.
      
Anzóis no Aquário não é uma das melhores peças de Hugo Zorzetti, autor com senso de humor refinado e tiradas engraçadas. O texto é longo, excessivo. Tem muitas divagações e monólogos.  O espectador que não conhece as picuinhas que rolam nos bastidores do teatro e da imprensa não consegue acompanhar o desenrolar da trama.  Infelizmente, a crítica teatral hoje é raridade. Praticamente inexiste nos jornais e revistas brasileiras. Houve época de ser acirrada,  incomodar atores, diretores, produtores.  Uma das mais ferrenhas críticas do teatro brasileiro, a carioca Barbara Heliodora, do jornal O Globo, destroçava espetáculos e atuações. Colecionou desafetos. Com sua morte, a crítica ficou órfã.
     
Anzóis no Aquário, que já foi apresentada em Anápolis, deverá pegar a estrada em 2018 para apresentações em diversas cidades.  Ainda depende de patrocínio para fazer a turnê.    
        

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017



                                        MESTRE HUGO SAI DE CENA 

Hugo Zorzetti


Meu primeiro contato com Hugo Zorzetti aconteceu numa longa entrevista concedida por ele ao jornal O Popular, na época da criação da Escola de Artes Cênicas da Universidade Federal de Goiás, da qual foi idealizador e fundador no ano 2000. Já tinha assistido peças  do seu Grupo Exercício e conhecia sua capacidade intelectual. Tivemos outros encontros para falar de teatro, do lançamento de seus livros e de assuntos relacionados ao fazer teatral, meandros que conhecia como poucos. Confesso que fiquei surpresa ao conhecer uma pessoa com tanta sabedoria, clareza de raciocínio e com todas as informações que buscava.  


Professor de Língua Portuguesa, Hugo Zorzetti migrou para as aulas de teatro com naturalidade. Fazia teatro desde a adolescência, portanto sentia-se seguro na nova profissão que abraçava. Em mais de 50 anos, construiu uma carreira respeitada dentro e fora de Goiás. Morto aos 69 anos, no último dia 5 de dezembro, deixa um enorme vazio no meio cultural  e um legado incomparável.   


Fundador do curso de Artes Cênicas da UFG e do teatro do Centro de Educação Profissional Basileu França, foi seu primeiro professor e também diretor. Em 1972, criou  o Grupo Exercício. Homem de hábitos simples, reservado, era muito respeitado e uma unanimidade quando se fala em teatro feito em Goiás.  Hugo vivia teatro, respirava teatro. Era uma referência.  Escrevia peças, dirigia espetáculos, formava atores, ministrava cursos. Mesmo doente nunca deixou de redigir seus textos. Deixou uma obra inacabada, e dezenas de outras para serem publicadas.  Sua última peça, Anzóis no Aquário, estreou no Teatro Goiânia em novembro, sem sua presença na plateia.  


Expoente do teatro em Goiás, Zorzetti foi professor, ator, diretor e dramaturgo. Atuou ao lado de Cici Pinheiro, Otavinho Arantes, João Bennio e formou uma geração de grandes talentos como Mauri de Castro, Constantino Isidoro, Ilson Araújo, Nilson Rodrigues, Cristhiane Lopes, Augusto César di Nízio, Terezinha Fernandes, Juquinha (Divino Magalhães de Almeida) e muitos outros artistas goianos. Difícil encontrar algum ator que não tenha como referência o mestre Zorzetti.


 Memória viva do teatro, Hugo Eustáquio de Macedo Zorzetti  conhecia profundamente o meio em que atuava.  Nos livros que escreveu, rememorou histórias e fatos, narrou com muito humor fatos pitorescos dos primórdios do teatro. Registrou tudo o que viu e viveu em Goiânia e no interior, falou do teatro na época da ditadura.  Esmiuçou documentos históricos, organizou grupos, e empurrou para a estrada da vida garotos e garotas que sonhavam com a carreira artística. 
  

Zorzetti conquistou todos os prêmios importantes da cultura goiana, como o Tiokô, concedido pelo Conselho Municipal de Cultura e o Jaburu, do Conselho Estadual de Cultura, todos os diplomas e medalhas de honra ao mérito. Era reconhecido e respeitado por toda a classe artística.  Publicou e encenou dezenas de peças, contos, novelas, ensaios, além da trilogia Memória do Teatro Goiano – A Cena da Capital, A Cena da Ditadura e A Cena do Interior, três obras imprescindíveis para quem quer conhecer o teatro goiano. Arrebatou os jurados do Festival  de São José do Rio Preto (SP), um dos mais respeitados do País, nos anos 1980, com a comédia  Êta Goiás, ganhando o título de “maior comediógrafo do Brasil”. Foi tema de uma ampla matéria na revista Veja.  Êta Goiás teve grande repercussão, e longa temporada de  apresentações, inclusive em outras cidades. 


Sua dramaturgia é ampla. Entre suas peças  mais conhecidas estão Lições de Motim,  A Barbearia, Ópera Cínica, e O Dia em Que Reabriram a Caixego, uma crítica escancarada sobre a falência da Caixa Econômica do Estado de Goiás, que rendeu muitas críticas ao autor.  O humor teatral de Zorzetti é ácido, mordaz, sem meio termo. Leitor voraz estava sintonizado com os acontecimentos diários. Homem de esquerda, não poupava críticas ao sistema, aos desmandos da política. No seu último trabalho colocou em cena um crítico de teatro e um ator medíocre.


Início

 Nascido em Goiânia em 1947, Zorzetti faria 70 anos no dia 29 de dezembro. Com mais de 50 anos de experiência, iniciou a carreira em 1964, no auge da ditadura militar, quando ainda era estudante secundarista no Atheneu Dom Bosco. Continuou atuante no Colégio São Domingos. Mesmo avesso à TV, participou também dos primeiros tempos na televisão como integrante do quadro  Pãopular,  no programa A Juventude Comanda, do colunista Arthur Rezende, na TV Anhanguera, junto com o cartunista e ator  Phaulo Gonçalves. O quadro fazia uma sátira ao jornal O Popular. Segundo dizia, o ator Hugo Zorzetti nasceu junto com o autor. “Escrevia para consumo nosso, uma turma de aventureiros”.
A estreia no palco se deu na adaptação do livro O Pequeno Príncipe, com uma companhia do Rio de Janeiro, que veio se apresentar em Goiânia, sob a direção de Sidney Cardoso. Houve um racha no grupo e o diretor convidou atores de Goiânia para completar o elenco. Hugo era um deles. “Foi o primeiro dinheiro que ganhei com teatro”, contou em entrevista nos anos 2000. Entusiasmado com a nova oportunidade, montou a Companhia Teatral de Goiânia (CGT), em parceria com  Phaulo Gonçalves, Wander Arantes, Pedro Afonso. “Era uma pretensão. Coisa de adolescente”.  Deu tão certo a brincadeira que Zorzetti não parou, passando a escrever também os textos para encenar.  Fogo na Canjica, que ele considerava péssima, foi sua peça de estreia, porém uma “experiência maravilhosa”.


Convivendo com os expoentes do teatro, Zorzetti adquiriu experiência e conhecimento do meio cultural. Aprendeu a fazer teatro fazendo. “Minha escola foi experimentar, quebrar a cara, acertar e errar, aprender com os erros, ouvir muito. Fiz cursos, li muito, pesquisei, me aperfeiçoei. Sou um profissional do teatro. Ensino porque aprendi, leio muito, tenho uma ampla biblioteca sobre o tema, sinto-me capaz de transmitir conhecimentos. Minha área de atuação é a lingüística, a literatura, a gramática, temas  bem próximos do teatro, por isso acabei me envolvendo”, ressaltava.



Pedagogo


 Fatos do cotidiano, observações, leituras. Tudo virava assuntos nas aulas de teatro. Muito mais que um professor, Zorzetti considerava-se um pedagogo do teatro. Explorava o máximo possível a encenação, fazia demonstrações, indicava a bibliografia, exemplificava o suporte técnico a ser usado pelos futuros atores. Cada detalhe era trabalhado pelo dramaturgo, que apesar dos inúmeros convites, optou por permanecer na sua terra, fundar uma escola que desse  oportunidade a todos os jovens.  Seu sonho tornou-se realidade em 2000 quando foi realizado o primeiro vestibular para o curso de Artes Cênicas na UFG.  

Zorzetti conhecia bem o meio universitário. O Teatro Universitário Galpão foi sua primeira aventura dentro da UFG, na década de 1960. O TGU era uma dissidência do Teatro Universitário oficial, dirigido por um professor de São Paulo, que seguia, mais ou menos, a cartilha política da época. Nada podia ser muito ousado, tudo tinha de ser comportado. Isso acabou gerando divergências. Indignado com a situação, o Diretório Central dos Estudantes resolveu intervir e criar um teatro próprio com uma linguagem menos subserviente. “Estava em casa, quando chegaram os estudantes me convidando para dirigir o grupo universitário. Eu estudava na UCG. Mas, topei. Foi uma época terrível. Éramos demasiadamente perseguidos. Fazíamos a coisa clandestina mesmo”, recordava.

Os estudantes driblavam os censores. “Mandávamos um texto para a censura, encenávamos outro. Se havia algum censor na plateia, apagávamos as luzes. O ensaio geral tinha de ser feito na presença do inquiridor e fazíamos outra peça. Muitos colegas morreram, foram trucidados, assassinados pela ditadura," relatou o dramaturgo em entrevista ao Popular. 


 Zorzetti colecionava amigos. Tinha seguidores fiéis entre os milhares de alunos que freqüentaram suas aulas nos colégios de Goiânia, onde lecionou Língua Portuguesa e Literatura. No Colégio Univesitário (Colu) fundou o Teatro Experimental Secundarista, o TESE que seria o embrião do Grupo Exercício.  Não foi um período fácil. O professor sofreu muita perseguição, mas felizmente venceu a resistência da direção. “Hugo foi minha escola”, diz o ex-professor, ator e diretor Nilton Rodrigues. Ele lembra que foi debaixo de uma mangueira na casa de seu pai que nasceu o Grupo Exercício, cujo tripé é o próprio Nilton, Hugo e Odilon Camargo. 


Nilton calcula que 80% dos atores de Goiânia, a partir dos anos 1960, tiveram alguma ligação com Zorzetti, ou com alguém que trabalhou diretamente com ele. “Hugo foi peça fundamental do teatro pelos cursos que criou, as pessoas que formou e os textos que escreveu”, sublinha o diretor de Anzóis no Aquário, peça que Hugo escreveu para si e Odilon Camargo encenarem.  Trata-se da última peça da trilogia composta por O Cuspe e a Barbearia, que abordam os bastidores do teatro. “Na verdade, as peças tratam da sua própria trajetória”, diz o diretor Constantino Isidoro, da Anthropos Cia. de Teatro que dirigiu O Cuspe. 


Os atores Marília Ribeiro e Luiz Cláudio, da Cia.Novo Ato,  destacam que Zorzetti nunca cobrou direito autoral de suas peças. Há mais de 15 anos,  encenam  o esquete O Político e o Assessor, texto extraído da peça Êta Goiás, e Crônicas de Motel, e nunca pagaram por isso. “Ele era um paizão”, afirma Luiz Cláudio, ex-aluno do dramaturgo na UFG.  



Depoimentos

Nilton Rodrigues, professor, ator e diretor   

“Conheci o Hugo em 1972 no Colégio Universitário. Comecei a fazer teatro no Teatro Experimental Secundarista (Tese) fundado por ele. Nossa amizade vem desde essa época. Calculo ter feito cerca de  12 peças sob a sua direção. Hugo foi minha escola, meu mestre. Dirigi seu último trabalho Anzóis no Aquário”.


Mauri de Castro, professor de teatro, ator, diretor do Ponto de Cultura Cidade Livre

“Hugo é meu grande mestre e de centenas de atores. Verdadeiramente um homem de teatro. Um grande guerreiro. Seu trabalho tem uma qualidade maior do que de seus antecessores goianos. Atuava com ele desde os anos 1970. Fui um dos atores de Êta Goiás, uma de suas peças mais importantes. Hugo fará uma falta absurda no meio. Não há outro igual em Goiás”.


Constantino Isidoro, professor de teatro do IFG e diretor da Anthropos Cia. de Teatro

“Fui aluno do Hugo na UFG. Fiz parte da primeira turma de formandos do curso de Artes Cênicas, e ele  meu professor. Ficamos amigos desde então. Hugo era um mestre da ética. Homem politizado, sintonizado com o mundo. Uma pessoa extremamente humana, intensa, alegre, que gostava de viver. Quando dirigia focava no ator. Encenei dele Lições de Motim, O Cuspe e O Despertar da Primavera, que acaba de conquistar o Prêmio Petrobras de Circulação. Vamos iniciar a turnê em janeiro de 2018. Vou sentir muito a sua falta”.   


Ilson Araújo, ator, diretor e técnico, integrante do Grupo Exercício

“Estou no grupo desde 1976, quando conheci o Hugo. Foi ele que me fez ator, me profissionalizou, ajudou a encontrar o meu caminho de uma forma muito paternal. Devo a ele tudo o que sou. Participei de praticamente todas as suas peças. Com a morte dele o teatro ficou órfão. Não vejo ninguém com capacidade para substituí-lo. É difícil falar nele neste momento. Ele era o próprio teatro”.