terça-feira, 30 de agosto de 2011
ESPETÁCULOS LOCAIS DO FESTIVAL GOIÂNIA EM CENA 2011
Definidos espetáculos e oficinas locais do mais importante festival de artes cênicas de Goiânia
A Comissão Organizadora do Festival Internacional de Artes Cênicas Goiânia em Cena, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura, divulga os espetáculos selecionados para sua edição 201, que será realizada de 1º a 26 de outubro. A comissão de seleção foi composta pela professora Dra. Lilian Freitas Vilela, da Unicamp (SP), produtora cultural e professora mestre Flávia Janiaski Vale, da Udesc (SC), e professor, diretor teatral, ator e coordenador de Cultura do Sesc Pernambuco, José Manoel da Silva Sobrinho.
Além das produções locais, a comissão definiu também as oficinas que serão ministradas no período do festival, que tem coordenação da professora e musicista Glacy Antunes.
Confira abaixo a grade de programação dos espetáculos e oficinas locais do Festival Goiânia em Cena.
MOSTRA PALCO - ESPETÁCULOS SELECIONADOS
ESPETÁCULO GRUPO
Ser tão Grande Grupo Arte & Fatos
A farpa Companhia Minima
O jogo do poder Ivan Lima
Luas e luas Grupo Zabriskie
O boneco de cor Teatro do Maleiro
Travessia Parte III – Exodo Grupo Sonhus - Teatro Ritual
GRUPO
MOSTRA DE RUA - ESPETÁCULOS SELECIONADOS
A Fabula da casa das mulheres sem homens Cia de Teatro Sala 3
Dois patetas espatifados Grupo Trupicão e Cia
Amor por anexins Grupo de Teatro Guará
Makunaima na terra de Pindorama Teatro que roda´
OFICINAS – PROPOSTAS SELECIONADAS
PROPOSTA PROPONENTE
Corpo dança, mente sana Rodrigo da Silva e Cruz
Impulsos, gestos e sentidos na construção poética da cena Franco Luciano Pereira Pimentel
Direções, montagens, processos... ou adentrando no fenômeno teatral Samuel Baldani
Ator e um teatro de invasão da cidade William Patrick Mendes da Silva
Oficina de jogo e relação Altair de Sousa Júnior
Teatro de bonecos e animação Marcos da Silva Santana
Foto: Gilson P. Borges
terça-feira, 16 de agosto de 2011
Leia abaixo a resposta da editora do caderno Magazine do Popular, Rosângela Chaves, ao editor da Gyn Cultural, Gilson P. Borges.
Caro sr. Gilson, obrigada por seus comentários, é sempre bom ouvir dos leitores o que pensam do nosso trabalho, para o bem e para o mal.
Algumas observações, no entanto:
-- Entendemos que o uso de material de agência é perfeitamente legítimo e está inserido no projeto jornalístico do POPULAR, que prioriza as matérias de conteúdo regional (como o senhor pode observar nas capas do Magazine, geralmente voltadas para os eventos realizados no cidade), mas com a preocupação também de informar ao leitor sobre o que acontece no Brasil e no mundo. Portanto, consideramos que é sim relevante informar ao leitor sobre o último trabalho do Ednardo, um artista paradigmático, e do lançamento de um disco do André Mehmari no Japão, um pianista de grande talento que infelizmente tem pouco espaço no mercado brasileiro para lançar seus trabalhos.
-- Quanto aos “tijolinhos” dados às peças, para ficar no seu exemplo com relação à edição de sábado, informamos que uma delas, “Ser Tão Grande”, já havia sido objeto de uma extensa matéria deste Magazine, sendo inclusive capa do caderno. Como se tratava de uma reapresentação, optamos apenas por dar uma informação rápida ao leitor. E normalmente esta é a regra que seguimos. Quando se trata de estreias de espetáculos goianos, sempre damos espaço generoso para os grupos locais e várias pessoas da área do teatro, inclusive em cartas enviadas a este jornal, já reconheceram a atenção que dispensamos para este segmento cultural.
-- Não é verdade que não damos atenção aos eventos culturais de artistas goianos. No sábado mesmo, demos uma grande matéria sobre um concerto na cidade de Goiás, com artistas goianos. Na semana passada, destacamos vários eventos, como a Revirada Cultural, uma exposição de artistas no MAG, entre outros.
-- A prática de publicar matérias na sexta sobre o eventos da semana é uma tradição no Magazine de muitos anos, portanto não é algo recente. A edição intitula-se justamente “fim de semana” para mostrar ao leitor o que vai acontecer no fim de semana, para que ele se programe. Os eventos do dia são informados depois na grade do Acontece.
-- Considero injusta sua afirmação ao dizer que os repórteres têm se limitado a reproduzir “realeses”. Estes, quando é o caso, são apenas o ponto de partida para que busquemos mais informações. Temos publicados, diariamente, reportagens de fôlego.
-- Quanto aos nossos editoriais de moda, entendo que possa ser um tema que talvez não agrade todo mundo, mas nosso projeto é entender a cultura numa acepção mais ampla, na qual a moda tem, sim, seu espaço, como é a tendência dos principais cadernos de cultura e variedades dos grandes veículos nacionais.
Atenciosamente
Rosângela Chaves
Caro sr. Gilson, obrigada por seus comentários, é sempre bom ouvir dos leitores o que pensam do nosso trabalho, para o bem e para o mal.
Algumas observações, no entanto:
-- Entendemos que o uso de material de agência é perfeitamente legítimo e está inserido no projeto jornalístico do POPULAR, que prioriza as matérias de conteúdo regional (como o senhor pode observar nas capas do Magazine, geralmente voltadas para os eventos realizados no cidade), mas com a preocupação também de informar ao leitor sobre o que acontece no Brasil e no mundo. Portanto, consideramos que é sim relevante informar ao leitor sobre o último trabalho do Ednardo, um artista paradigmático, e do lançamento de um disco do André Mehmari no Japão, um pianista de grande talento que infelizmente tem pouco espaço no mercado brasileiro para lançar seus trabalhos.
-- Quanto aos “tijolinhos” dados às peças, para ficar no seu exemplo com relação à edição de sábado, informamos que uma delas, “Ser Tão Grande”, já havia sido objeto de uma extensa matéria deste Magazine, sendo inclusive capa do caderno. Como se tratava de uma reapresentação, optamos apenas por dar uma informação rápida ao leitor. E normalmente esta é a regra que seguimos. Quando se trata de estreias de espetáculos goianos, sempre damos espaço generoso para os grupos locais e várias pessoas da área do teatro, inclusive em cartas enviadas a este jornal, já reconheceram a atenção que dispensamos para este segmento cultural.
-- Não é verdade que não damos atenção aos eventos culturais de artistas goianos. No sábado mesmo, demos uma grande matéria sobre um concerto na cidade de Goiás, com artistas goianos. Na semana passada, destacamos vários eventos, como a Revirada Cultural, uma exposição de artistas no MAG, entre outros.
-- A prática de publicar matérias na sexta sobre o eventos da semana é uma tradição no Magazine de muitos anos, portanto não é algo recente. A edição intitula-se justamente “fim de semana” para mostrar ao leitor o que vai acontecer no fim de semana, para que ele se programe. Os eventos do dia são informados depois na grade do Acontece.
-- Considero injusta sua afirmação ao dizer que os repórteres têm se limitado a reproduzir “realeses”. Estes, quando é o caso, são apenas o ponto de partida para que busquemos mais informações. Temos publicados, diariamente, reportagens de fôlego.
-- Quanto aos nossos editoriais de moda, entendo que possa ser um tema que talvez não agrade todo mundo, mas nosso projeto é entender a cultura numa acepção mais ampla, na qual a moda tem, sim, seu espaço, como é a tendência dos principais cadernos de cultura e variedades dos grandes veículos nacionais.
Atenciosamente
Rosângela Chaves
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
DESABAFO
Depois do desabafo do diretor Marcos Fayad, da Cia. Teatral Martim Cererê, contra a mídia goiana que pouco espaço concedeu à estreia de seu mais recente espetáculo Puro Ouro Brasileiro, no Teatro Sesi, em maio, o editor da Gyn Cultural, guia da programação local de shows, artes cênicas, literatura, cinema, palestras e cursos. Gilson escreveu ao Popular fazendo considerações sobre a edição do jornal, que segundo ele, dedica pouco espaço às produções goianas. Na sua opinião, não só o Popular, mas as rádios, outros jornais e os canais de TVs deveriam dar mais atenção aos artistas regionais.
Leia abaixo a íntegra da carta que Gilson P. Borges enviou ao caderno Magazine, do jornal O Popular, principal veículo de divulgação da arte feita em Goiás, no dia 13 de agosto.
Prezados Senhores,
" Sou leitor e assinante do jornal O Popular. A seção de maior interesse, para mim, no referido jornal, é o “Magazine”, mas, infelizmente, a função desta mensagem não é elogiar o trabalho de vocês, e sim apontar problemas que têm se tornado cada vez mais frequentes, conforme relação abaixo detalhada:
1. A nova diagramação da seção “Acontece” piorou bastante. A colocação de 2 ou 3 notícias, dentro de uma mesma caixa, na parte superior da seção, às vezes, torna difícil a identificação do início e término de cada notícia, já que, em alguns casos, sequer há título para a coluna. Na parte central, uma coluna inteira é desperdiçada, com a colocação única do símbolo “>>”, totalmente dispensável e irrelevante;
2. Conheço muitas pessoas que compram o jornal no final de semana para saber a programação cultural. Entretanto, uma prática bastante comum no jornal, ultimamente, é publicar na sexta matérias sobre eventos que ocorrerão no sábado ou domingo. Ou seja, quem não leu o jornal na sexta acaba não tendo acesso a matérias que gostaria de ler no dia em que o evento realmente vai ocorrer;
3. O trabalho dos jornalistas também têm deixado muito a desejar, já que grande parte das matérias é a simples reprodução dos releases enviados por quem solicita divulgação, ou textos divulgados por agências de notícias. Tem sido publicada uma grande quantidade de notícias “de fora”, em detrimento de notícias sobre a cultura produzida ou que acontece em Goiás. Por exemplo, na edição de hoje (13/08), quatro peças teatrais em cartaz em Goiânia foram apenas mencionadas em “tijolinhos”, ao passo que uma página inteira foi dedicada a artigos sobre lançamento de CD e livro de Ednardo (não em Goiânia), lançamento de CD de Antônio Adolfo (não em Goiânia) e, vejam só, lançamento de CD de André Mehmari (NO JAPÃO!!!). Por que reproduzir matérias de agências de notícias que já foram publicadas em outros veículos de comunicação e deixar de fora, ou simplesmente menosprezar, ou ignorar, os eventos culturais que ocorrem com frequência cada vez maior em Goiânia e Goiás? Por que não fazer matérias de verdade sobre estes eventos, ao invés da cômoda reprodução de releases? Por que desperdiçar, ainda, semanalmente, páginas interiras com matérias completamente irrelevantes sobre "moda", que só interessam aos donos de loja que têm seus produtos expostos nas fotos publicadas?
4. Há descuido até com as tirinhas cômicas, que, com frequência, são repetidas em dias consecutivos.
Consultando exemplares antigos de O Popular é possível notar uma piora na qualidade do conteúdo e formato do caderno Magazine e foi isto que me levou a destacar os pontos acima listados."
Atenciosamente,
Gilson Pedro Borges
Leia abaixo a íntegra da carta que Gilson P. Borges enviou ao caderno Magazine, do jornal O Popular, principal veículo de divulgação da arte feita em Goiás, no dia 13 de agosto.
Prezados Senhores,
" Sou leitor e assinante do jornal O Popular. A seção de maior interesse, para mim, no referido jornal, é o “Magazine”, mas, infelizmente, a função desta mensagem não é elogiar o trabalho de vocês, e sim apontar problemas que têm se tornado cada vez mais frequentes, conforme relação abaixo detalhada:
1. A nova diagramação da seção “Acontece” piorou bastante. A colocação de 2 ou 3 notícias, dentro de uma mesma caixa, na parte superior da seção, às vezes, torna difícil a identificação do início e término de cada notícia, já que, em alguns casos, sequer há título para a coluna. Na parte central, uma coluna inteira é desperdiçada, com a colocação única do símbolo “>>”, totalmente dispensável e irrelevante;
2. Conheço muitas pessoas que compram o jornal no final de semana para saber a programação cultural. Entretanto, uma prática bastante comum no jornal, ultimamente, é publicar na sexta matérias sobre eventos que ocorrerão no sábado ou domingo. Ou seja, quem não leu o jornal na sexta acaba não tendo acesso a matérias que gostaria de ler no dia em que o evento realmente vai ocorrer;
3. O trabalho dos jornalistas também têm deixado muito a desejar, já que grande parte das matérias é a simples reprodução dos releases enviados por quem solicita divulgação, ou textos divulgados por agências de notícias. Tem sido publicada uma grande quantidade de notícias “de fora”, em detrimento de notícias sobre a cultura produzida ou que acontece em Goiás. Por exemplo, na edição de hoje (13/08), quatro peças teatrais em cartaz em Goiânia foram apenas mencionadas em “tijolinhos”, ao passo que uma página inteira foi dedicada a artigos sobre lançamento de CD e livro de Ednardo (não em Goiânia), lançamento de CD de Antônio Adolfo (não em Goiânia) e, vejam só, lançamento de CD de André Mehmari (NO JAPÃO!!!). Por que reproduzir matérias de agências de notícias que já foram publicadas em outros veículos de comunicação e deixar de fora, ou simplesmente menosprezar, ou ignorar, os eventos culturais que ocorrem com frequência cada vez maior em Goiânia e Goiás? Por que não fazer matérias de verdade sobre estes eventos, ao invés da cômoda reprodução de releases? Por que desperdiçar, ainda, semanalmente, páginas interiras com matérias completamente irrelevantes sobre "moda", que só interessam aos donos de loja que têm seus produtos expostos nas fotos publicadas?
4. Há descuido até com as tirinhas cômicas, que, com frequência, são repetidas em dias consecutivos.
Consultando exemplares antigos de O Popular é possível notar uma piora na qualidade do conteúdo e formato do caderno Magazine e foi isto que me levou a destacar os pontos acima listados."
Atenciosamente,
Gilson Pedro Borges
ATORES GOIANOS PREMIADOS NO PIAUÍ
| Guido - melhor ator |
Escrito por Danilo Alencar, o espetáculo solo Balanço, com o ator Bruno Peixoto conquistou os prêmios de melhor cenário (Paulinho Pessoa), figurino (Júlio Vann) e sonoplastia (Victor Pimenta). Balanço está há dois anos em cartaz.
As premiações são um reconhecimento ao teatro feito em Goiás, que prima cada vez mais pela qualidade e a profissionalização. Como bem diz o diretor Danilo Alencar, do Grupo Arte & Fatos: "Aqui ninguém brinca de fazer teatro. Para nós, teatro é coisa séria".
O teatro goiano agradece os prêmios !!!
| Bruno Peixoto em Balanço |
quarta-feira, 13 de julho de 2011
LIÇÕES DE MOTIM
| Anthropos Cia. de Arte |
Professor de teatro, autor teatral, escritor, Hugo Zorzetti é um observador atento dos fatos cotidianos. As ocorrências diárias são um prato cheio para suas peças, a maior parte comédias que satiriza fatos e pessoas. Elas são a matéria prima do seu trabalho.
Lições de Motim, que a Anthropos estreou no Teatro Sesi, fez temporada no Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro, e deve retornar ao Sesi em agosto, narra uma história que de tão corriqueira, os jornais e os canais de TV já nem noticiam mais.
Durante 10 anos uma velha senhora, viúva e solitária, teve sua casa roubada pelo mesmo ladrão. Ela cansou de registrar Boletim de Ocorrência na polícia, que já nem dava mais atenção as suas reclamações. No decorrer dos anos, ela foi ficando sem os eletrodomésticos, os botijões de gás, os utensílios da cozinha. Até pano de prato o sujeito não se acanha em levar. Aos poucos a casa vai ficando vazia. Isso acontece até que a própria vida se encarrega de dar um desfecho para a situação.
Um belo dia, o larápio entra na casa da velha senhora e ao sair fica preso na esquadria da janela. Ele tenta sair de todas as maneiras, mas não consegue desvencilhar-se das grades. Fica como um rato preso na armadilha. Só a idosa pode salvá-lo chamando a polícia para salvá-lo, ou deixá-lo morrer enforcado na janela. É chegada a hora do acerto de contas. E a velhinha não perde tempo.
O ladrão, que a atormentou por 10 anos está agora em suas mãos. Indefeso, humilhado, com medo, ele implora para que ela chame a polícia para tirá-lo dali. Não é o que ela quer, pois a polícia que é paga para proteger os cidadãos nunca se interessou pelo caso. A velha senhora está entre a cruz e a espada. Está aí questão crucial da peça: fazer, ou não justiça com as próprias mãos já que não acredita mais na polícia.
Produção simples, com poucos recursos cênicos, Lições de Motim envolve o espectador de tal forma que o público vai entrando na história. Mesmo cometendo alguns deslizes (como levantar o corpo e ficar ereta enquanto a idosa é emborcada), talvez por ser estreia, Renata Caetano segura bem a personagem. Liomar Veloso faz um ladrão convincente, que se debate desesperadamente nas grades da janela como o rato se debate na armadilha.
Lições de Motim termina de uma forma abrupta. A platéia fica à espera de um desfecho. Mas o término da história fica a seu critério. Bom texto, boa montagem, Lições de Motim mostra que Hugo Zorzetti continua em plena forma.
Foto: Josemar Callefi
quarta-feira, 29 de junho de 2011
MUSICAL PURO OURO BRASILEIRO
| Alba Franco e Newton Murce |
Diante da repercussão, e do importante material que ficara fora da primeira edição , Marcos Fayad decidiu criar uma sequência para o espetáculo. A estreia foi realizada no Teatro Sesi, de 10 a 12 de junho, com o título de Puro Ouro Brasileiro, uma escolha que, acredito, acabou confundindo o público, que acabou achando tratar-se da mesma produção.
Puro Ouro Brasileiro segue o mesmo formato da primeira versão Puro Brasileiro: música e pequenos textos explicativos sobre cada autor ou música costurando o espetáculo. Marcos Fayad assina o roteiro, a direção e também interpreta e canta junto com o elenco formado por Tião Sodré, Alba Franco, Débora di Sá, Gerda Arianna, Newton Murce, e os músicos Ney Couteiro (violão e viola), diretor musical, e Henrique Dias (acordeon).
Fayad recuperou pérolas do gênero de todas as regiões do País. Do Norte trouxe A Saga da Amazônia, um verdadeiro manifesto à destruição da Amazônia, segundo ele, a música favorita do seringueiro Chico Mendes. Foi ao Nordeste buscar as belas canções de Luiz Gonzaga, Catulo da Paixão Cearense, Stefana de Macedo, Castanha e Caju, Lindalva e Terezinha, Bráulio Tavares. Homenageou o gaúcho Teixeirinha em Coração de Luto. Siriema representou muito bem o Mato Grosso. A música do Centro Oeste e do Sudeste foi muito bem representada pelas tocantes Fiz a Cama na Varanda, a brincalhona A Mulher e o Trem, Cabecinha no Ombro, Viola Quebrada, Serra da Boa Esperança, Casinha Branca, A Moda do Fim do Mundo, Moreninha e Disco Voador.
O diretor optou pelo clima de seresta para iniciar o espetáculo fora do palco. O elenco entra no teatro cantando Luar do Sertão, o clássico de Catulo da Paixão Cearense, e só depois ocupa o espaço em clima de roda de viola. Os artistas se dividem e cantam em solos, duos, trios e finalizam a apresentação com um enorme coro entoando a divertida Disco Voador, de Palmeira e Biá, gravada em 1955.
Puro Ouro Brasileiro é um musical simples, que retrata de forma muito leve e respeitosa as canções que emocionam o caboclo, o caipira, o homem rural que aprecia o canto dos pássaros, o cheiro da terra e uma boa roda de viola. Puro Ouro Brasileiro alcança muito bem seus objetivos proporcionando ao público bons momentos de distração e diversão, momentos cada vez mais raros.
Capins secos e os belos efeitos de iluminação de Alexandre Greco deram ao cenário a ambientação rural típica. Tocos de árvores cortadas servem de bancos no terreiro da fazenda. Confeccionado em algodão, o figurino de Luciana Adauto tem a simplicidade marcante do caipira. As roupas femininas ganharam brilho discreto.
A produção do espetáculo Puro Ouro Brasileiro está caprichada, com a marca registrada de Marcos Fayad. É plasticamente bonito, tem músicas caipiras de bom gosto e elenco coeso, sob a direção musical de Ney Couteiro. Só falta conquistar o público.
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