segunda-feira, 1 de novembro de 2010

BALÉ DO TEATRO CASTRO ALVES


O coreógrafo Henrique Rodovalho surpreende mais uma vez ao explorar na dança vivências, atitudes, sentimentos e emoções. Com muita sensibilidade, ele criou especialmente para o Balé do Teatro Castro Alves, da Bahia, o espetáculo inédito A Quem Interessar Possa, levando em conta a experiência de cada bailarino. Formado por intérpretes da dança com idade entre 35e 55 anos, o grupo de 23 bailarinos narra no palco suas próprias experiências de vida, gostos pessoais, o seu cotidiano. Gravados em áudio, os depoimentos se transformam em gestos e expressões cênicas cheias de significados.
Henrique passou 40 dias em Salvador e voltou para Goiânia sentindo-se um “quase” baiano, segundo revelou no regresso. Do contato diário com os bailarinos, extraiu histórias de vida alegres, às vezes tristes, algumas divertidas, outras nem tanto, e inseriu na coreografia, que é muito mais do que um simples espetáculo de dança, pois é teatral e também musical.
Envolvente, instigante, A Quem Interessar Possa tem muito de nós mesmos. Assuntos banais manipulados com muita habilidade se transformaram em um roteiro recheado de humor e irreverência, fato que não é inédito na carreira do coreógrafo que já traduzira os sentimentos e e as vivências cotidianas dos idosos da Vila Vida, localizada na Vila Mutirão, em Goiânia. Gravados em vídeo, os depoimentos dos velhinhos emocionam pela sinceridade. Uma vez mais Rodovalho surpreende ao explorar um tema que mexe com sentimentos e intimidades e acerta uma vez mais.

Foto: Layza Vasconcelos

domingo, 24 de outubro de 2010

TEATRO SESI - INAUGURAÇÃO


Goiânia terá mais um espaço teatral. Trata-se do Teatro Sesi, localizado no Setor Santa Genoveva, ao lado do Clube Antônio Ferreira Pacheco



Música, dança, teatro e circo vão movimentar o programa de inauguração do Teatro SESI, no dia 27 de outubro, às 20 horas. Instalado no Setor Santa Genoveva, o novo espaço das artes cênicas será ocupado pela Orquestra de Câmara Goyazes & convidados, sob a regência do maestro Eliseu Ferreira. Entre eles estão as cantoras Maria Eugênia, Cláudia Vieira, Débora di Sá e Vanessa Bertolini. Solos de dança Quasar e do Balé do Estado de Goiás fazem parte do programa, que terá participação do tenor Michel Silveira, do violeiro Marcus Biancardini, da mezzo soprano Wanessa Rodrigues e do violinista Thierry Lucas das Neves, de 13 anos.


Atriz e diretora da Cia. Viver Como Quem Se Arrisca, Tetê Caetano, assina a direção artística do espetáculo, produzido criteriosamente para marcar a inauguração deste importante espaço destinado às artes em Goiás.


Exposição
Convidada para ocupar o foyer, a consagrada artista plástica Maria Guilhermina, que há 37 anos tem seu ateliê instalado ao lado do teatro, vai expor esculturas inéditas em pau brasil e pedra sabão, inspiradas nas formas da natureza: pássaros, animais e vegetais. A mostra ficará em cartaz até o dia 30 de novembro.


Espaço


Projeto arquitetônico de Ciro Lisita Arantes, o Centro Cultural SESI tem 2.670 m2 de área construída, 600 lugares (plateias inferior e superior), oito camarins, seis salas para oficinas, cursos e ensaios, foyer para exposições de artes plásticas, lançamentos literários e outras manifestações culturais, café e estacionamento para 300 veículos. Trata-se de um importante complexo cultural, que visa oferecer programas artísticos de alto nível aos trabalhadores da indústria , seus familiares , e à comunidade, fomentar a cultura e estimular o espírito crítico, especialmente dos trabalhadores da indústria.

Localizado na Av. João Leite, nº 1.013, Setor Santa Genoveva, o Teatro SESI já está com sua pauta disponível para locação. Informações com Teco pelo telefone: (62)3219-1359.

TRAVESSIA III - TEATRO RITUAL


Dança butô é o principal ingrediente de Êxodo, terceiro espetáculo da trilogia Travessia, do Teatro Ritual



Os atores Nando Rocha e Pablo Angelino, do grupo Teatro Ritual, nunca esconderam a admiração pela dança butô, gênero criado no Japão após a Segunda Guerra Mundial pelos dançarinos e coreógrafos Kasuo Ohno e Tatsumi Hijikata. Ohno morreu em junho aos 103 anos deixando um legado que conquistou adeptos no mundo todo, como os dois atores de Goiás.

Inicialmente, o butô causou o maior impacto e foi chamado de “dança das trevas” pela ousadia em explorar o caos e o horror vivido pelos japoneses após as explosões da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki . Uma das principais características do butô são os solos silenciosos, a lentidão de movimentos como se fossem realizados em câmara lenta, baseados nas tradicionais danças japonesas de forte inspiração teatral. Expressão corporal e facial, concentração e entrega total aos personagens são fundamentais para quem aposta no gênero.

Desde o primeiro episódio da trilogia Travessia, Nando e Pablo dedicam o maior tempo possível, e correm atrás de todas as possibilidades para chegar à perfeição que a esse tipo de encenação exige. Estudaram, pesquisaram, fizeram diversos cursos, inclusive com o expert japonês Tadashi Endo, que atua na Alemanha, e tem estreitas conexões com artistas brasileiros.

Se na primeira Travessia – A Partida, eles abordaram o acidente radioativo com o Césio 137, ocorrido em Goiânia em 1987, na segunda Travessia – De Tão Longe Venho Vindo a abordagem gira em torno das distâncias, da solidão e das intempéries provocadas pelo tempo e pela vida. Neste terceiro espetáculo da série Êxodo é o tema. A produção narra a história de duas crianças que perdem o navio que as levará rumo ao desconhecido. Na travessia arriscada, os dois se deparam com as profundezas do mar sem fim, os mistérios do universo, as incertezas do amanhã. Ao mesmo tempo em que fazem a travessia pela vida, os personagens promovem um encontro consigo mesmo. “Todo verdadeiro lugar por onde atravessei está em minha alma, impresso em minha memória ancestral, manifestada em meu corpo. Estamos em constante travessia”, afirmam os atores no catálogo da peça, que fará temporadas em Quirinópolis e Pirenópolis antes de seguir para Belo Horizonte, Cuiabá e Curitiba.

Há momentos muito interessantes na nova travessia de Nando e Pablo pelo desconhecido. Sintonia não falta aos atores. Diferentemente dos espetáculos anteriores da trilogia, a Travessia III peca pela trilha sonora fora do contexto e algumas derrapadas na direção de Gustavo Collini, que o Teatro Ritual trouxe da Argentina para dirigir a dupla . Mas, apesar das imperfeições, que ainda podem ser sanadas, o espetáculo tem momentos de muita sensibilidade como a cena do barco.

Mais amadurecidos e experientes, Nando e Pablo estão bem em seus papeis. Pablo bem mais compenetrado e sincero em sua interpretação tem amadurecido a cada novo espetáculo. Travessia I é um bom espetáculo, Travessia 2, muito melhor e Travessia 3 tem ingredientes suficientes para ser tão bom o segundo episódio da série. Em todos os aspectos ainda prefiro De Tão Longe Venho Vindo.

O figurino de Solange e Ana Maria Mendonça enriquece a produção, assim como a iluminação de Roosevelt Saavedra, o cenário e a ambientação dos próprios atores. Na busca de aperfeiçoamento, Nando e Pablo investiram na orientação para a criação artística e treinamento butô de Yoshito Ohno e Natsu Nakagima, no Japão, e Joan Lagge, dos Estados Unidos.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

OLHO - JOÃO BOSCO AMARAL


Diretor da Casa das Artes, diretor da Cia. de Teatro Oops!!!, João Bosco Amaral surpreende como ator no monólogo Olho, adaptação do conto Coração Delator, de Edgar Allan Poe, feita por ele mesmo. Convidado para dirigir o ator, Ivan Lima apostou na atmosfera noir da encenação, realçada pela iluminação à meia luz, às vezes escura como pede o texto.

Considerado o criador do romance policial e mestre do suspense, o autor explora sentimentos contraditórios do ser humano, suas obsessões, ambições, medos e terrores. Na adaptação, João Bosco alinhavou o texto de Allan Poe com outros de Artaud, Shakespeare e Francis Bacon para reforçar o suspense e o desequilíbrio do personagem, que narra sua própria história.

Com uma carreira promissora, João Bosco domina bem a cena, passa de um personagem a outro com segurança as nuances de cada personagem com alternações na voz, no gestual e nas expressões corporal e facial adequadas, o que prova o seu amadurecimento como ator.

Bem conduzido pelo experiente diretor Ivan Lima, o espetáculo é muito cuidado. Cada detalhe tem sua razão de ser. Encenação, cenário, iluminação e figurino estão perfeitamente inseridos dentro do contexto da bizarra história. A trilha sonora de Lino Calaça enfatiza o clima de suspense da produção, que com o aprimoramento essencial ao fazer teatral ficará ainda melhor.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

FLOR DE MAMULENGO


Fagner

Eu sou a flor do mamulengo
Me apaixonei por um boneco
E ele "neco" de se apaixonar"
Neco" de se apaixonar (Bis)
E ele "neco"

Já estou com os nervos a flor do pano
De desengano vou ter um treco,
E ele "neco" de se apaixonar
"Neco" de se apaixonar (Bis)
E ele "neco" (Refrão)
Se no teatro eu não te atar
Boneco eu juro vou me esfarrapar
Eu não consigo viver sem teu dengo
Meu mamulengo (Bis)
E ele "neco" de se apaixonar
(Bis)"neco" de se apaixonar
Foto: Envelopes, Cia. Nu Escuro - Rubens Cerqueira

DECEPÇÃO BANCÁRIA



Publicitário, poeta e líder da banda Terroristas da Palavra, LéoPereira também faz incursões no teatro. Já foram duas tentativas de emplacar no palco. Primeiro foi com Traga-me Bombons Coloridos, com o ator Guido CamposCorrêa, dirigido por Henrique Rodovalho, em 2005. Agora é a vez de Poética Bancária, do Grupo de Teatro Arte & Fogo, sob a direção de Delgado Filho, cartaz no Centro Municipal de Cultura Goiânia Ouro no fim de semana passado.


O espetáculo focaliza a rotina estafante do bancário Gervásio, cujo maior sonho é aposentar-se depois de 30 anos de trabalho. A história começa quando ele é admitido no banco. O estresse e o cansaço do cotidiano maçante do banco são alguns sentimentos expostos na produção, que se passa no tempo da máquina de escrever. Cada vez mais envolvido com o trabalho, o personagem criado por Léo Pereira apaixona-se pela cintura do número 8 e não pensa em outra coisa.

Gervásio não sabe se a absurda paixão é uma fuga provocada pela desgastante rotina bancária, se é loucura ou fantasia. E este é o enfoque principal da peça. Infelizmente, saí do teatro sem saber a resposta. Pelo menos o grupo Arte & Fogo não conseguiu se fazer entender. Ou será que é o texto do Léo? Estou tentando entender.

O texto rimado e recheado de repetições nada tem de poético. Falta dramaturgia. A cenografia de Delgado Filho e Roberto Rita com divisórias que remetem ao banco, onde são projetadas algumasimagens, não ajuda muito. O figurino de Rochelle Silva é pobre e inadequado para um bancário dos tempos das antigas máquinas Olivetti e Remington, quando os profissionais se vestiam com camisa social ou terno e gravata.


Para completar, os atores Jusse Lessa, Clodoaldo Marques e Luiz Agôn não convencem nos seus papéis. Declamam o texto como em um jogral. Para completar, um “fantasma ou folião” fica na cola do bancário atormentando ainda mais a sua cabeça. Mais surreal impossível.
Foto: Dirce Vieira

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

TEATRO DE BOLSO CICI PINHEIRO SERÁ REINAUGURADO

Depois de ampla reforma, o Teatro de Bolso Cici Pinheiro, instalado no Complexo Casa das Artes, no Setor Oeste, será reinaugurado sexta-feira (03/09), às 20 horas, com a apresentação de seis importantes nomes do teatro em Goiás. Os diretores Danilo Alencar, Ivan Lima, Júlio Vann, Constantino Isidoro e Delgado Filho, e o ator Newton Murce vão ocupar o novo palco apresentando cenas curtas, atuando como atores.

Idealizado para espetáculos intimistas de curta duração, o Teatro de Bolso Ceci Pinheiro tem 80 lugares. Depois da reabertura, o espaço vai abrigar espetáculos A História é uma Istória, do Grupo Bastet, Olho, da Cia. Oops!, Sobre o Amor e Dois Patetas Espatifados, do Grupo Trupicão. Uma Mostra de Teatro Infantil também está programada para a Semana da Criança, em outubro, com entrada franca para a garotada.

A reinauguração do Teatro de Bolso Cici Pinheiro integra a programação da 1ª Revirada Cultural de Goiânia, promovida pela Secretaria Municipal de Cultura.

O Complexo Casa das Artes, que abriga o Teatro fica na Av. Anhanguera, esq. c/ Rua R-1, próximo ao Lago das Rosas, Setor Oeste. Informações: 9977-0378 e 8594-6285, com Carlos Brandão.

*** Saiba mais sobre a atriz e diretora de teatro Cici Pinheiro neste blog.